Prorrogação do auxílio emergencial é ‘certeza’ se houver 2ª onda de Covid-19

Em evento do setor de supermercados realizado nesta quinta-feira (12), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a prorrogação do auxílio emergencial será “uma certeza” caso haja uma segunda onda de casos de Covid-19 no país.

Segundo Guedes, não é nisso que o governo está pensando agora, mas se uma nova onda da pandemia acontecer será preciso reagir. O ministro destacou que o “plano A” é diminuir o auxílio na medida em que os casos de Covid-19 também baixam. Entretanto, se os casos voltarem a aumentar, será inevitável a prorrogação do auxílio.

A princípio, o auxílio emergencial seria pago em somente três parcelas, entre maio e julho. Mas os pagamentos foram prorrogados duas vezes, passando de R$ 600 para R$ 300 nas últimas parcelas.

prorrogação auxílio emergencial

O Congresso aprovou o auxílio emergencial em março, prevendo um pagamento de R$ 600 mensais a trabalhadores informais afetados pela pandemia. A proposta inicial do governo era de apenas R$ 200, mas os deputados conseguiram passar para R$ 600.

Existe possibilidade de haver uma prorrogação do auxílio emergencial? Aí vamos para o outro extremo. Se houver uma segunda onda de pandemia, não é uma possibilidade, é uma certeza. Nós vamos ter de reagir, mas não é o plano A”, afirmou Guedes em evento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).

Segundo o ministro, o auxílio emergencial e outras medidas de combate aos efeitos da pandemia devem representar 10% do PIB ao final do ano. Dessa forma, a estimativa é que estes gastos passem de R$ 600 bilhões em 2020.

Entretanto, Guedes acredita que a experiência adquirida permita ao governo reduzir os gastos emergenciais para 4% do PIB em 2021, no caso de uma segunda onda.

Guedes também volta a falar do imposto sobre transações financeiras

Além da questão da prorrogação do auxílio emergencial, o ministro Paulo Guedes também voltou a tocar no assunto do imposto sobre transações financeiras no evento da Abras. Para ele, esta é uma maneira de financiar a desoneração da folha de pagamentos  de empresas.

Mas o ministro afirma que a intenção da equipe econômica não é criar impostos, e sim provocar uma “substituição tributária”. Isso quer dizer que a estratégia é acabar com alguns imposto e aplicar outros.

Quando nós falamos em desonerar a folha, precisamos encontrar uma forma de financiamento dessa desoneração. E daí falamos então no imposto, na verdade na contribuição, sobre transações. Inclusive, principalmente, as digitais, que são as que mais crescem no país. Foi nesse sentido que consideramos essa alternativa de tributação, mas sempre com a perspectiva que não há aumento de impostos”, disse o ministro.

Guedes defendeu a criação de um imposto digital em outubro, durante uma audiência pública no Congresso. Na ocasião, o ministro chegou a apelidar o imposto de “digitax”, mas afirmou que o tributo esta “morto” no mesmo evento.

Mas a aproximação das eleições reacendem o assunto, pois segundo o ministro a política é responsável pelo “timing” das reformas.

Ainda de acordo com Guedes, não haverá aumento de imposto para quem já paga, mas para outros grupos os tributos devem aumentar. “Imposto sobre dividendo vai subir sim, para quem estava isento antes. Se tributarmos as transações, quem não pagava vai começar a pagar”, declarou o ministro.

Apesar da inflação, ministro está otimista com a economia

Para Guedes, a retomada do nível de atividade da economia brasileira acontece em “V”, o que significa uma queda brusca seguida de um aumento rápido.

O ministro comparou a situação da economia à de um urso hibernando. “Graças aos supermercados, ao campo, mantivemos os sinais vitais. Estávamos em modo de economia de energia. Acabou o inverno, o urso sai e está com fome, vai à caça”, afirmou.

Já em relação à alta da inflação, observada nos últimos meses, Guedes classificou como “temporária, transitória”. Segundo ele, o governo pode reduzir mais o imposto de importação para novas mercadorias, se for preciso. Mas a expectativa do ministro é que a “aterrissagem” do auxílio emergencial e o crescimento da produção agrícola façam os preços recuarem.

“Quando a população começou a reclamar de aumentos excessivos, examinamos, agimos rápido no arroz e estamos examinando toda pauta de alimentação, para eliminar imposto de importação”, finalizou o ministro.

Deixe seu comentário