Salário Mínimo 2021: Aumento pode ficar para o ano que vem. Veja motivos

Neste mês entrou em vigor o novo salário mínimo de 2021, que ficou em R$1100,00. No ano passado, ele era de R$1045,00. Mesmo com o aumento no valor, o reajuste não teve aumento real. Ele apenas repôs perdas da inflação e ficou acima dos R$1088,00 que estavam previstos na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada em dezembro pelo Congresso. 

Para estabelecer o salário mínimo deste ano, o Governo Federal utilizou a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, que foi de 5,26%. Apesar disso, o real INPC divulgado em 2021 foi superior à estimativa calculada em 2020, chegando em 5,45%. Por esse motivo, o salário mínimo terá que ser reajustado novamente, de R$1100,00 para R$1102,00. 

Ainda não se sabe quando o valor correto deve começar a valer. De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, essa mudança pode ser feita apenas em 2022 para que haja uma compensação integral da inflação. 

Essa situação não é inédita no Brasil. Em 2019, por exemplo, aconteceu o mesmo. No dia 31 de dezembro deste ano, o salário mínimo seria de R$1039,00.  Em janeiro de 2020, quando o INPC foi revelado, o valor passou para R$1045,00. 

Como funciona o cálculo do reajuste do salário mínimo? 

Pessoas em um mercado fazendo compras. Créditos: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

O reajuste do salário mínimo é uma obrigação descrita na Constituição, mas algumas mudanças aconteceram nos últimos anos. 

Entre 2007 e 2019, a correção do valor era feita com base na inflação registrada no ano anterior, por meio do  Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, em conjunto com o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Esse cálculo permitia que o salário mínimo tivesse um aumento real, quando houvesse crescimento econômico. 

Em 2020, essa maneira de realizar o reajuste foi revogada pelo governo Bolsonaro. Desde o ano passado, ele só é feito de forma para corrigir o valor e para não fazer com que ele perca poder de compra por conta da inflação. 

O atual Ministro da Economia, Paulo Guedes, acredita que o aumento do salário mínimo pode gerar desemprego. “Hoje, se você der um aumento de salário mínimo, milhares e talvez milhões de pessoas serão demitidas. Estamos no meio de uma crise terrível de emprego. Dar aumento de salário é condenar as pessoas ao desemprego”, disse Guedes durante uma audiência no Congresso em setembro de 2020. 

De acordo com oSenado Federal, a cada um real de aumento no salário mínimo, o impacto nas despesas sobre os orçamentos Fiscal e da Seguridade Social é de R$351,1 milhões. O impacto líquido, que considera os ganhos na Receita Previdenciária, é de R$315,4 milhões.

Inflação em 2020

O ano de 2020 encerrou-se com a maior alta na inflação desde 2016, de acordo com o IBGE. Ela foi de 4,52%. Em 2016, ela chegou a 6,29%. Esse resultado ficou acima do que está previsto pelo Conselho Monetário Nacional, que era de 4%. 

O que os brasileiros mais sentiram no bolso com o aumento da inflação foi a ida ao mercado. A demanda por esses produtos, a alta do dólar e dos preços das commodities no mercado internacional foram os principais responsáveis pela alta de 14,09% nos preços de alimentos e bebidas,  segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Alguns destaques foram:

  • Óleo de soja: alta de 103,79%;
  • Arroz: alta de 76,01%;
  • Batata-inglesa: alta de 67,27%;
  • Tomate: alta de 52,76%
  • Leite longa vida: alta de 26,93%;
  • Frutas: alta de 25,40%;
  • Carnes: alta de 17,97%;

Outros produtos e serviços sofreram com o aumento de preços, como habitação (5,25%), energia elétrica (9,14%) e transportes (1,03%). Apenas peças de vestuário apresentaram variação negativa, de -1,13%.

A alta dos preços foi registrada em todo o Brasil, mas em algumas capitais ela chamou a atenção:

  • Campo Grande: alta de 6,85%
  • Rio Branco: alta de 6,12%
  • Fortaleza: alta de 5,74%;
  • São Luís: alta de 5,71%
  • Recife: alta de 5,66%
  • Vitoria: alta de 5,15%
  • Belo Horizonte: alta de 4,99%
  • Belém: alta de 4,63%

Todas essas cidades ficaram acima da média nacional, que foi de 4,52%.

 

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Formada em Jornalismo pela PUCPR. Atualmente está cursando Pós Graduação em Questão Social e Direitos Humanos na mesma instituição de ensino. Tem paixão por informar as pessoas e acredita que a comunicação é uma ferramenta que pode mudar o mundo!

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